Sofia Ribeiro defende potencial das energias renováveis nos Açores

A Eurodeputada Sofia Ribeiro defendeu que "os Açores dispõem de um elevado potencial na transição para energias limpas, que tem de ser devidamente apoiado”, aquando da sua intervenção, como oradora convidada, na Semana da Energia Sustentável, desenvolvida pela Comissão Europeia, em Bruxelas.

Na sessão em que foi lançado o Secretariado da Energia Limpa para as Ilhas Europeias, no seguimento da declaração política de Malta que estabeleceu um compromisso para uma "iniciativa de Energia Limpa para todas as Ilhas Europeias", Sofia Ribeiro começou por apresentar os objetivos de transição energética dos Açores, tendo adiantado que “em 2017, apenas 37% da energia produzida nos Açores teve origem endógena, sendo 63% recorrente ao diesel, mas o objetivo da região é inverter esta situação até 2025”.

Os Açores apresentam um enorme potencial no uso das energias renováveis, pela sua posição geográfica e condição marítima, pela origem vulcânica, e em que a Agricultura, constituindo uma essencial atividade económica, tem também potencial na transição energética”, enumerou a Social-democrata, tendo ainda dado a conhecer os exemplos das centrais geotérmicas de São Miguel e da Terceira, bem como o projeto da central hidroelétrica da ilha das Flores, que “fazem uso das especiais características do arquipélago”.

Recordando que ainda existem ilhas, como o Corvo e a Graciosa, que “ainda dependem a 100% de recursos fósseis para a produção de energia elétrica, não obstante os projetos existentes", Sofia Ribeiro afirmou que “também no mercado da energia, os Açores, como Região Ultraperiférica, sofrem os efeitos do afastamento“, lembrando que "é função da União Europeia salvaguardar instrumentos que permitam à Região a transição para a utilização de energias limpas. E isso não é possível com o corte de 45% no fundo de coesão que a comissão apresentou para o pós-2020”.

A finalizar a intervenção, Sofia Ribeiro enumerou desafios à transição para energias renováveis que podem, simultaneamente, constituir-se como oportunidades de desenvolvimento económico e social sustentável. "É necessário analisar, caso a caso, oimpacto na paisagem, não descurando uma oportunidade no sentido de os Açores serem valorizados como um destino verde. A necessidade de mão-de-obra qualificada que acompanha o aumento da utilização de fontes renováveis é também uma oportunidade para a criação de postos de trabalho ‘verdes’ para os jovens açorianos”. “É urgente que se potenciem os mecanismos de apoio financeiro às famílias, que minimizem o investimento inicial que estas têm de desenvolver na transição para as energias renováveis e que maximizem o retorno desse mesmo investimento”, concluiu Sofia Ribeiro.