EUROPA – CANADÁ, UM EIXO A PRIVILEGIAR

28 de Setembro, 2017

Acabo de chegar de uma jornada de trabalho no Canadá, junto da nossa diáspora, em que levei “mais Europa” e informação que visa estimular a ligação da nossa comunidade, em especial dos filhos e netos dos nossos emigrantes, à terra de origem dos seus antecessores.

As relações transatlânticas e mormente o eixo Europa-Canadá estão a ganhar cada vez mais preponderância no actual contexto político. A Europa e a América do Norte constituem um exemplo mundial na protecção dos cidadãos, dos direitos humanos e do ambiente. Nutrir este eixo transatlântico e trazê-lo para um primeiro plano da diplomacia e dos investimentos mundiais é cada vez mais fulcral se quisermos afirmar a primazia do modelo Ocidental, em especial nos tempos modernos cada vez mais marcados pelo isolacionismo e pelo proteccionismo.

O CETA, acordo económico e comercial global firmado entre a União Europeia e o Canadá, é o elemento político mais visível desta aposta. Não tenho qualquer dúvida que a UE e o Canadá deram um passo de gigante nas relações económicas e comerciais entre países e que o acordo que assinaram vai não apenas modelar os restantes acordos que se encontram a ser revistos, como condicionar o relacionamento destes países com países vizinhos.

Mas existe uma ligação muito mais profunda, que tem um impacto muito mais directo e imediato no dia-a-dia das pessoas e que deve, por isso, ser devidamente acarinhada e apoiada pelos decisores políticos. Refiro-me à nossa diáspora, que leva a nossa cultura mais além, vivenciando-a de múltiplas formas. É de louvar a persistência, o voluntariado e o espírito de entrega pela causa cívica na defesa da nossa língua, das nossas tradições religiosas e profanas, da nossa gastronomia. Em todos os fóruns e associações em que estive no Canadá, desde a nossa Casa dos Açores do Ontário, passando pelo Centro Comunitário Graciosa, pelo Clube Canadiano da Madeira, pela Casa das Beiras e pelos diversos órgãos de comunicação social locais com programas em Português, senti o calor humano de se ser Português, numa diáspora que evoluiu com os tempos e que detém um notável nível de informação acerca da actual situação política, económica e social do nosso país. Acima de tudo, é de louvar o amor que a nossa comunidade tem por Portugal e que é visível na forma apaixonada como dele falam e como se entregam em levá-lo para o outro lado do Atlântico, experienciando, na primeira pessoa, o eixo transatlântico.

Ciente de que as gerações vindouras, pelo natural efeito que a distância tem na memória, têm de ser devidamente estimuladas e orientadas na manutenção destes laços, levei à nossa comunidade o manual compilado pelo meu Gabinete, intitulado “Oportunidades Europeias para os Emigrantes nos EUA e Canadá”. Esta publicação contém uma breve descrição dos programas europeus de que podem beneficiar e dos requisitos e procedimentos de candidatura. Tendo deixado a mensagem muito clara de que a nossa comunidade deve investir na sua inserção e naturalização no país de acolhimento, levei a mensagem de que a aquisição da dupla cidadania se traduz hoje numa vantagem adicional, num mundo em que a globalização não é apenas económica mas também humana. Anunciei, também, a abertura de uma vaga para um estágio no meu Gabinete em Bruxelas, a ser ocupada por um jovem da nossa comunidade emigrante no Canada, numa selecção que será efectuada pela Casa dos Açores do Ontário, iniciativa que será oportunamente replicada também nos EUA.  Pretendo, assim, não apenas estimular a formação e o conhecimento nas relações transatlânticas ao mais alto nível decisório, como prestar um contributo para que a nossa comunidade mais jovem da diáspora mantenha vivo este amor de se ser Português, dinamizando o eixo transatlântico fundado nas relações interpessoais e culturais.

 

Sofia Ribeiro

www.sofiaribeiro.eu

sofia.ribeiro@ep.europa.eu