(IN)CONFORMADOS?

2 de Março, 2017

Esta semana foi publicado mais um estudo internacional em que a nossa Região assume uma péssima classificação. Vamos continuar a agir como se nada se passasse, deixando tudo na mesma? 

Refiro-me ao Índice de Competitividade Regional da União Europeia de 2016, lançado pela Comissão Europeia, que pretende aferir a capacidade de uma região proporcionar um ambiente atractivo e sustentável para as empresas e os residentes viverem e trabalharem, em que ocupamos a posição número 234, em 263 regiões, com uma pontuação correspondente a 16,7% da região melhor classificada. Note-se que este estudo assume uma perspectiva muito para além da mera análise económica, não se focando no produto interno bruto, mas antes apresenta um equilíbrio entre os objectivos de sucesso empresarial com os relativos ao bem-estar das populações. Ora, apesar de não devermos descurar o nosso afastamento das regiões melhor classificadas (que não constitui novidade, face à grande disparidade de desenvolvimento das regiões europeias), mais preocupante é sermos a pior região portuguesa, bem como incluirmos o grupo das regiões pior classificadas a nível europeu, nas quais se incluem as regiões búlgaras, romenas, gregas, bem como a Sicília, a Calábria (ambas italianas) e a Guiana Francesa (outra Região Ultraperiférica).

Não obstante, muito mais interessante é o facto deste estudo apresentar uma comparação do índice de competitividade entre as Regiões com um produto interno bruto similar, constituindo, assim, uma ferramenta interessante (porque mais equitativa) de análise de desenvolvimento. Nesta análise mais restrita, os Açores voltam a não alcançar uma avaliação positiva, atendendo a que apenas sobressaem dos seus pares pela qualidade de serviços no sector público (ocupando, ainda assim, a posição 142 de entre as 263) e se destacam negativamente no que concerne à educação superior e à aprendizagem ao longo da vida, ao potencial do seu mercado e às infraestruturas de transportes.  Isto implica que, mesmo entre pares, assumimos índices preocupantes naquelas que são consideradas as estruturas básicas de desenvolvimento económico de uma região.

Ora, como comecei por referir, infelizmente não constitui novidade a nossa avaliação negativa em estudos internacionais. Ainda há menos de um ano escrevi uma crónica aludindo à nossa desastrosa posição no índice de progresso social de entre as regiões europeias. Mas o que mais me preocupa não são os maus resultados. O que nos deve aviltar é o facto de os utilizarmos fundamentalmente em jeito de registo, sem qualquer ambição para a nossa Região. Ocasionalmente, ainda se fazem algumas tentativas de se determinarem responsabilidades políticas, mas sem qualquer perspectiva de acções correctivas e, ainda mais importantes, impulsionadoras de crescimento.

Falta-nos um plano estruturado de desenvolvimento. Quais são as potencialidades dos Açores? Que orientação devemos dar aos nossos investimentos para que estes se traduzam em crescimento efectivo e não meramente estatístico ou sem sustentação no tempo? Que estratégias de correcção dos constrangimentos sociais e económicas devem ser implementadas? Qual a nossa ordem de prioridades?

Em paralelo, sem desprimor desta necessária reflexão interna e a título de exemplo, temos de reforçar sinergias entre Regiões Ultraperiféricas (RUPs). Para além de nos constituirmos como um bloco reivindicativo de medidas diferenciadas correctivas dos nossos constrangimentos, as RUPs devem construir uma rede efectiva de conexão nas mais diversas áreas de actividade, assumindo-se como uma mais-valia no território europeu, numa abordagem em macro-escala. Voltarei a este assunto numa próxima oportunidade.

 

Sofia Ribeiro

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