OS FRUTOS DO TRABALHO

3 de Fevereiro, 2017

Há dias em que sentimos satisfação pelo dever cumprido, em que a história já não prossegue connosco, mas com o doce sabor de sabermos que contribuímos decisivamente para que ela pudesse tomar vida própria. Foi o que aconteceu esta semana com a promoção dos produtos agrícolas, em que constatei que uma das minhas lutas dos últimos dois anos e meio.

Com base no conhecimento especializado que tenho vindo a adquirir no Parlamento Europeu, tenho apresentado na Região várias propostas de planos de trabalho, trazendo especialistas europeus na matéria, para que possamos, se houver vontade política, maximizar o nosso desenvolvimento. Podia cingir-me à actividade parlamentar, defendendo apenas os Açores na restante Europa, mas entendo que podemos ser muito mais Açores na Europa (mote da campanha às eleições europeias da coligação PSD e CDS nos Açores, de que fui candidata) se maximizarmos as oportunidades europeias que estão ao nosso alcance, o que nem sempre acontece por inúmeras razões.

Foi o que fiz quanto à promoção dos produtos agrícolas. Em Junho de 2014 apresentei à Federação Agrícola dos Açores um programa europeu de ajudas à promoção dos produtos agrícolas, que não estava a ser utilizado pela Região e repliquei essa informação nas várias reuniões do sector por mim organizadas e em múltiplas intervenções que fiz na Região desde então. Este programa permite ao sector promover os produtos agrícolas no mercado interno e externo da União Europeia, com significativos apoios europeus. Ao não fazermos isto, perdíamos terreno para outros agentes concorrenciais que, acedendo a financiamento europeu que nós desperdiçávamos, promoviam os lácteos, carnes, frutícolas, hortícolas e outros produtos agrícolas nos diversos mercados, com os quais teríamos depois de concorrer, mas partindo de uma base desigual por exclusiva inacção nossa. Esta situação tornava-se ainda mais grave, uma vez que estávamos a atravessar uma gravíssima crise agrícola, em especial no sector do leite, com uma competição feroz nos mercados e com um excedente de oferta que não conseguia obter suficiente escoamento. Em 2016, desperdiçámos a candidatura a um pacote de mais de 100 milhões de euros (só no leite era de 9 milhões). E isto era ainda mais incompreensível quanto os nossos lavradores estavam a perder dinheiro todos os dias.

Fiquei, assim, chocada quando o PS/Açores, no final de Junho último, não somente não incentivou o Governo Regional a desenvolver uma estratégia para que a fileira do leite (essencialmente esta) se candidatasse a estes fundos, como acusou o líder do PSD/Açores de estar a iludir os lavradores. Fui forçada a tomar posição na comunicação social, mas não me fiquei por aqui e trouxe aos Açores o responsável europeu pela condução e aprovação destes. Assim aconteceu em Setembro, e Diego Canga Fano não apenas elucidou quanto à possibilidade de candidatura a este programa, como especificou que os Açores tinham várias portas preferenciais para uma candidatura, por serem uma Região Ultraperiférica e por terem 11 produtos de Indicação Geográfica ou de Denominação de Origem Protegida, e ainda comunicou o aumento financeiro do pacote todos os anos, até 2020.

Compreenderá, assim, o leitor a minha satisfação por ver que o Governo Regional finalmente reconheceu as vantagens do programa, após toda esta quimera, tendo uma delegação se deslocado a Bruxelas para uma sessão especial, organizada pela Comissão Europeia, de informação sobre este programa, uma vez que novas candidaturas serão abertas no próximo mês de Abril. A partir daqui, já não é da minha responsabilidade qualquer candidatura.

O meu trabalho, neste processo, está concluído com sucesso. Continuarei a trabalhar para que outros tenham desfecho semelhante, como é o caso da criação de uma interprofissional do Leite.

 

Sofia Ribeiro

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