Sofia Ribeiro afirma que próximo orçamento da UE pode aumentar assimetrias entre países

A Eurodeputada Sofia Ribeiro criticou os cortes propostos pela Comissão Europeia no próximo quadro financeiro plurianual, na reunião da Comissão Parlamentar do Emprego e Assuntos Sociais, no Parlamento Europeu, em Bruxelas. A Eurodeputada falava no âmbito da audição ao Comissário do Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade, Jyrki Katainen, também Vice-Presidente da Comissão Europeia, esta terça-feira, 19 de junho.

A crítica ao novo orçamento iniciou com a ilustração dos desafios que se perspetivam a nível da digitalização, da robótica e da inteligência artificial, que exigem uma melhoria no ensino e nos professores. “Nós temos que ter efetivamente políticas que incentivem a que tenhamos os melhores professores e isso não pode acontecer com desvalorizações salariais; isso não pode acontecer quando não se considera o tempo de serviço e quando não se considera o trabalho que os professores estão a fazer”.

A Deputada ao Parlamento Europeu afirmou que essas necessárias políticas não são compatíveis com a previsível desvalorização do fundo social europeu, no próximo quadro financeiro plurianual. “É necessário que nós tenhamos as políticas adequadas para as zonas rurais e para as zonas mais desfavorecidas, e isso também não será compatível com o corte de 45% no fundo de coesão”, realçou.

Para Sofia Ribeiro, o Brexit e a necessidade de fazer um reforço na segurança e defesa não podem ser desculpa para os cortes, já anunciados pela Comissão, para Portugal, quando estão previstos aumentos para outros países, como a Finlândia. Segundo a Eurodeputada, esta situação “aumenta as assimetrias dentro da União Europeia”. A Comissão justifica-se com as melhorias efetuadas pelo nosso país, em alguns indicadores, nos últimos anos. “Mal teria sido se nós não tivéssemos melhorado indicadores”, respondeu a Social-democrata. “Em 2013 estávamos a tentar sair de uma bancarrota e foi feito um esforço profundo pelos portugueses, que agora, se não se veem acompanhados pela Comissão Europeia, vão sentir-se profundamente fragilizados”, finalizou Sofia Ribeiro.