ESTADO DA REGIÃO

13 de Setembro, 2018

Seria muito interessante se, nos Açores, se procedesse periodicamente ao debate sobre o Estado da Região, não apenas focado na caracterização, como sucede habitualmente, mas na essência da Política desenvolvida e nos objectivos e grandes opções de futuro, à semelhança do que sucedeu esta semana em Estrasburgo. Estando a acompanhar, como mandatária regional de Pedro Nascimento Cabral à liderança do PSD/Açores, os contactos estabelecidos com militantes em diferentes ilhas açorianas, que visam não apenas cativar votos, mas construir um projecto conjunto de mudança, tenho sido confrontada com a premência de uma tal reflexão que, devendo em primeiro lugar ser interna, tem de ultrapassar o âmbito de cada Partido.

Habitualmente, sempre que se procede a uma análise desta tipologia, ficamos enredados na caracterização, na enunciação de estatísticas e crítica de resultados. Debatem-se números do insucesso e do abandono escolar, da pobreza, das listas de espera na saúde, do emprego e dos programas ocupacionais, as perdas na produção agrícola e nas Pescas, os cancelamentos e adiamentos nos transportes, de entre outros. Sendo tal caracterização fundamental, esta rapidamente passa a justificar a crítica à acção político-partidária, servindo, então, mais como argumento de disputa entre os Partidos da Oposição e o Governo e o Partido que o suporta, do que enquadradora de mudança. Assiste-se a uma busca pelo título noticioso, tentando desesperadamente cativar órgãos de comunicação social e fazedores de opinião nas redes sociais, ficando aprisionados nos enquadramentos e não na essência. Esquece-se, intencionalmente ou não, que tais dados constituem um mero reflexo de opções e condicionantes internas e externas. Age-se como uma criança pequena que, perante o seu reflexo ao espelho, demora a aprender que aquilo que vê é tão simplesmente a imagem do que na realidade é.

Como consequência, prolifera a Política do penso rápido, orientada para estancar e proteger feridas. Contudo, ainda que seja fulcral em determinadas situações saber reagir de forma célere e eficaz, o imprevisto não pode constituir a norma que preside à intervenção política.

A Autonomia que conquistamos para a Região tem de fazer uma análise de identidade. Há que delinear estratégias, definir rumos atinentes aos nossos constrangimentos geográficos, sociais e económicos e que tirem o máximo partido das nossas potencialidades. Os Açorianos merecem e ambicionam por uma Região que deixe de se focar no combate ao insucesso escolar, à pobreza, ao desemprego, apenas para dar algus exemplos, mas que seja capaz de prevenir, ao invés de remediar. A Autonomia que almejamos não pode ficar refém do mero assistencialismo, mas constituir uma plataforma para uma real e efectiva mobilidade social, geradora de riqueza com base na meritocracia.

No momento em que o PSD/Açores vai a eleições internas e o PS/Açores prepara o seu congresso, urge discutir como evoluir para uma Região congregadora, mas não igualitária, atinente ao que nos distingue, mas não divisionista. Uma Região que privilegie a qualidade e a especialização à quantidade e à replicação.

 

Sofia Ribeiro

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