VOTO NA MUDANÇA

27 de Setembro, 2018

Este Sábado marca uma eleição decisiva no PSD/Açores que, sendo um Partido fortemente implantado nos Açores e, desde há 22 anos, o maior da oposição, terá um profundo impacto no modo de se fazer política na Região. A decisão é muito simples – continuidade ou mudança. Não tivesse Pedro Nascimento Cabral apresentado a sua candidatura e não estaríamos a assistir a uma campanha acesa e apaixonada, com novos interlocutores. Não obstante, fruto de um não acaso, ambos os candidatos apresentam projectos que ambicionam novos tempos, mas a questão que se coloca a cada um dos militantes que expressará o seu voto é qual dos rostos é garantia de mudança. Não pelo que dizem os candidatos, mas pelo que realmente representam.

Muito embora frequentemente se associe a renovação à juventude, o que neste caso nem é significativo uma vez que apenas dez anos separam os dois candidatos, a verdadeira jovialidade não está associada à idade, mas à inovação de pensamento. Assim, há que decidir qual dos dois projectos dá maior garantia de pensar e de fazer diferente.

Enquanto não for capaz de inovar, o PSD/Açores não terá quaisquer chances de Governar a Região. “Para fazer mais do mesmo já lá está o PS” – ouve-se nas ruas – facto bem patente nos resultados eleitorais regionais, em que a diminuição do número de votos no PS/Açores não se tem traduzido num aumento de votos no PSD/Açores.

Ao invés de esperar que o poder lhe caia no colo, o PSD/Açores tem de ser capaz de inovar pelas propostas que apresenta. E não há inovação sem análise crítica, quer na dimensão externa, quer na interna. É nesta medida que considero extremamente preocupante uma idéia que se pretende generalizar de que a crítica é sinónimo de deslealdade. Quiçá intencionalmente (característica de sistemas que se querem perpetuar no poder), confunde-se unidade com unicidade, omitindo que lealdade não é submissão – antes pelo contrário. A verdadeira lealdade é a que constrói o aperfeiçoamento, impossível sem auto-crítica.

Não almejo um Partido pejado de “yes-man” e “yes-woman” que legitimam toda a acção do seu líder. Ainda que motivados por esse desvirtuameamento do conceito da mais pura lealdade, rapidamente são tidos como sobreviventes num sistema autofágico. Almejo um Partido cujas bases sejam incentivadas à participação activa, reactivando a militância de base e não a dos “amigos dos Presidente” e que tenha como prioridade a actividade dos órgãos nucleares e de base. Tal apenas é possível se não apenas se respeitar como, inclusivamente, se estimular a diversidade de opinião e a proactividade.

Só assim se pode apostar na credibilidade, que tem de constituir sempre uma prioridade sobre a imagem. Já dizia o Padre António Vieira, nos seus Sermões, que “tudo aquilo que se faz para os olhos dos homens, ainda que se faça, não se faz”.

Este Sábado, o voto será pela mudança. Não apenas do PSD/Açores, mas principalmente da nossa Região, que tem de enveredar por caminhos de prosperidade individual e colectiva. Os militantes do PSD/Açores são todos chamados a fazer a diferença. No recato da sua consciência, decidirão qual é o verdadeiro rosto da mudança. Eu voto Pedro Nascimento Cabral.

 

Sofia Ribeiro

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